Nas redes sociais gosto de postar poeminhas, de brincar de fotopoema, de mostrar o que me inspira. Nos meios de comunicação instantânea, me dissolvo rapidamente e me faço lida. Assim me imponho: pela palavra que empresto aos outros.
Houve gente que pediu meu livro porque gostou dos fotopoemas. Fiquei feliz. Houve gente que descobriu que eu escrevia assim. Mas também teve o contrário. Houve quem ficasse chocado que eu tivesse um livro, perguntando: "então aqueles poeminhas nas flores eram seus mesmo?"
Sim, os poemas nas flores são meus. Só que as flores passam deixando a lembrança de um perfume e uma foto de memória. Já os poemas nas flores, esses não morrem. E serão objeto de um terceiro livro.
4 de maio de 2017
9 de abril de 2017
Diário do escritor: noite de apresentação
A questão do apresentar-me como autora foi uma pedra no meu sapato. Rejeitei de cara. Coisa de gente que aprendeu a ser reservada, menos por recato, mais por resguardo. Quem sabe o quanto é difícil encontrar seu eu, principalmente quando ele é mutante, sabe que esse eu merece preservação e não exposição.
Não é timidez. Nem medo de palco. Enfrento as luzes da ribalta com relativa tranquilidade. No entanto, prefiro as sombras à luz extrema. Na sombra, a escuridão e a luz se revelam com igual intensidade. Ali talvez more alguma verdade.
Ainda assim me convenceram a fazer um lançamento singelo. Aceitei sem aceitar. Usava mil desculpas e colocava inúmeros obstáculos. Primeiro dizia que queria salvaguardar o livro. Tolinha! O livro tem que deixar a prateleira. Depois, quando (finalmente) me dei conta que a palavra escrita não era de minha posse mais, disse que não faria uma apresentação porque era o livro que devia ser apresentado, não a autora. Sério? Está engando quem? Por fim, meus amigos e meu irmão conseguiram me empurrar na direção do lançamento do livro. A partir daí, as coisas andaram rumo à apresentação do Ausente e da Thais Simone.
Não foi uma festa. Foi um encontro. Ambiente intimista, decoração de bom gosto e uma leveza que eu buscava desesperadamente. Eu queria fugir daquela coisa social, de plumas e paetês e cair na coisa cultural, no acolhimento. Só entendo quem recebe quando ele acolhe e valoriza seu convidado. Não precisa forçar a barra. As pessoas ficam à vontade porque estão se sentindo bem e porque estão felizes em comparecer. Era isso que eu queria e foi isso que eu tive.
Ágata Kaiser, minha amiga, professora e uma das literatas mais sensíveis que eu conheço, fez minha apresentação. Precisa, por sinal. Mesmo com ela própria dizendo-a incompleta. Quem é completo que atire a primeira pedra e quebre o vidro do castelo.
Fiz discurso. Tatuagem. Poesia é tatuagem. Só que ao invés de marcar o corpo, ela marca a alma. Alguns vão achar lindo, outros dirão que é grotesca, mas ninguém fica indiferente à tatuagem, principalmente à da alma. Também me lembro de ter agradecido a todos que me "empurraram" até aquele momento. Lembro-me de ter agradecido meus pais, berço cultural e moral de toda minha vida. E me lembro de não ter dito uma palavra ao Alfredo. Sem seu silêncio, minha alma não poderia ter criado. Esse é o tamanho desse homem que ama e respeita.
Não tive filhos de carne, os meus rebentos são feitos de papel e o Ausente foi só o primeiro.
Não é timidez. Nem medo de palco. Enfrento as luzes da ribalta com relativa tranquilidade. No entanto, prefiro as sombras à luz extrema. Na sombra, a escuridão e a luz se revelam com igual intensidade. Ali talvez more alguma verdade.
Ainda assim me convenceram a fazer um lançamento singelo. Aceitei sem aceitar. Usava mil desculpas e colocava inúmeros obstáculos. Primeiro dizia que queria salvaguardar o livro. Tolinha! O livro tem que deixar a prateleira. Depois, quando (finalmente) me dei conta que a palavra escrita não era de minha posse mais, disse que não faria uma apresentação porque era o livro que devia ser apresentado, não a autora. Sério? Está engando quem? Por fim, meus amigos e meu irmão conseguiram me empurrar na direção do lançamento do livro. A partir daí, as coisas andaram rumo à apresentação do Ausente e da Thais Simone.
Não foi uma festa. Foi um encontro. Ambiente intimista, decoração de bom gosto e uma leveza que eu buscava desesperadamente. Eu queria fugir daquela coisa social, de plumas e paetês e cair na coisa cultural, no acolhimento. Só entendo quem recebe quando ele acolhe e valoriza seu convidado. Não precisa forçar a barra. As pessoas ficam à vontade porque estão se sentindo bem e porque estão felizes em comparecer. Era isso que eu queria e foi isso que eu tive.
Ágata Kaiser, minha amiga, professora e uma das literatas mais sensíveis que eu conheço, fez minha apresentação. Precisa, por sinal. Mesmo com ela própria dizendo-a incompleta. Quem é completo que atire a primeira pedra e quebre o vidro do castelo.
Fiz discurso. Tatuagem. Poesia é tatuagem. Só que ao invés de marcar o corpo, ela marca a alma. Alguns vão achar lindo, outros dirão que é grotesca, mas ninguém fica indiferente à tatuagem, principalmente à da alma. Também me lembro de ter agradecido a todos que me "empurraram" até aquele momento. Lembro-me de ter agradecido meus pais, berço cultural e moral de toda minha vida. E me lembro de não ter dito uma palavra ao Alfredo. Sem seu silêncio, minha alma não poderia ter criado. Esse é o tamanho desse homem que ama e respeita.
Não tive filhos de carne, os meus rebentos são feitos de papel e o Ausente foi só o primeiro.
Thais Simone
1 de março de 2017
Diário do escritor: correio
Então o livro saiu da gráfica. Eu não tinha ideia do trabalho que dava para comercializar a criança. O maior entrave foi em como distribuir, já que sou independente.
Correio no Brasil é uma piada. Já foi um dos serviços mais respeitados do país, mas hoje? O serviço foi sucateado por uma série de más gestões. E nós temos que pagar o pato e enfrentar a burocracia.
Estou horrorizada com o custo de postagem para envio para todo país. A postagem via correio DOBRA o custo do livro. Se eu queria vender a 15, tenho que vender a 30 por causa dos correios. É isso ou não consigo pagar nem o papel em que está o escrito. Uma lástima. E não há opção.
Qualquer site que disponibiliza coisas para a gente, temos a mesma novela. O dobro ou nada. E dizem que lá o livro vai ter mais visibilidade quando na verdade tudo o que querem é pegar o dinheiro daquela sua tia que mora longe e que insiste em não ganhar o livro de presente.
Resta a opção de comprar direto via rede social. Ou comprar direto comigo aqui na minha cidade. Fora isso, Mercado Livre e enfrentar os altos custos para fazer o livro chegar.
Tristeza isso.
Correio no Brasil é uma piada. Já foi um dos serviços mais respeitados do país, mas hoje? O serviço foi sucateado por uma série de más gestões. E nós temos que pagar o pato e enfrentar a burocracia.
Estou horrorizada com o custo de postagem para envio para todo país. A postagem via correio DOBRA o custo do livro. Se eu queria vender a 15, tenho que vender a 30 por causa dos correios. É isso ou não consigo pagar nem o papel em que está o escrito. Uma lástima. E não há opção.
Qualquer site que disponibiliza coisas para a gente, temos a mesma novela. O dobro ou nada. E dizem que lá o livro vai ter mais visibilidade quando na verdade tudo o que querem é pegar o dinheiro daquela sua tia que mora longe e que insiste em não ganhar o livro de presente.
Resta a opção de comprar direto via rede social. Ou comprar direto comigo aqui na minha cidade. Fora isso, Mercado Livre e enfrentar os altos custos para fazer o livro chegar.
Tristeza isso.
28 de fevereiro de 2017
Reestruturando
O blog está passando por uma reestruturação e muitos links foram retirados da ativa. Perdoem o incoveniente. Em breve eles voltam.
15 de fevereiro de 2017
Bolinho
Misture uma caneca de boas lembranças com meia dúzia de sementes de fé e três colheres de doçura.
Bata as três na sua cabeça até formar uma massa.
A pitada do amargor de ontem serve para dar equilíbrio à massa, mas não pode ser muita, senão a receita desanda.
Amigos à gosto. Eles dão um suave sabor de fidelidade à massa.
E para ficar bem de vez, é preciso uma boa dose de coragem.
Continue mexendo a mistura até o ponto de bobo.
E quando a massa firme e bem estruturada estiver soltando da vasilha, ponha amor em fermento e deixe assentar numa forma.
Por último, desenforme isso tudo da sua cabeça e deixe cozinhar no coração por meia hora.
Sirva com canela, café ou chocolate.
Fica ótimo!
Thais Simone
Bata as três na sua cabeça até formar uma massa.
A pitada do amargor de ontem serve para dar equilíbrio à massa, mas não pode ser muita, senão a receita desanda.
Amigos à gosto. Eles dão um suave sabor de fidelidade à massa.
E para ficar bem de vez, é preciso uma boa dose de coragem.
Continue mexendo a mistura até o ponto de bobo.
E quando a massa firme e bem estruturada estiver soltando da vasilha, ponha amor em fermento e deixe assentar numa forma.
Por último, desenforme isso tudo da sua cabeça e deixe cozinhar no coração por meia hora.
Sirva com canela, café ou chocolate.
Fica ótimo!
Thais Simone
28 de julho de 2016
Réquiem
Eu estou aqui para dizer adeus e despedida nunca é fácil.
Vou me esquecer de que você se foi por um momento para dizer o quanto nós o amamos e o quanto ainda vamos amar.
Você foi luz para muita gente: sua família, seus amigos, seus pacientes, até para aqueles com quem você topava uma vez ou outra. Gente que você resgatou com sua palavra, com seu sorriso de criança, com sua voz poderosa. Tudo culpa desse seu coração generoso. Tudo próprio de almas grandiosas. Você era bom na arte de cativar.
Unânime? Não. Ninguém é. Afinal, a luz quando é demais cega olhares pequenos, incapazes de enxergar.
Você pode não estar aqui para nos ouvir agora, mas que seu espírito saiba que vai deixar saudade. Só não vai deixar vazio: seu brilho foi intenso e esse será seu legado.
Seremos sempre gratos pelo tempo que dedicou a esses terrenos pequenos.
Para os que ficam e que têm dúvidas: saibam que "o mesmo Deus que dá o livre arbítrio é capaz de imensurável misericórdia". Creiam que por causa disso, nosso amigo agora está em paz.
Vou me esquecer de que você se foi por um momento para dizer o quanto nós o amamos e o quanto ainda vamos amar.
Você foi luz para muita gente: sua família, seus amigos, seus pacientes, até para aqueles com quem você topava uma vez ou outra. Gente que você resgatou com sua palavra, com seu sorriso de criança, com sua voz poderosa. Tudo culpa desse seu coração generoso. Tudo próprio de almas grandiosas. Você era bom na arte de cativar.
Unânime? Não. Ninguém é. Afinal, a luz quando é demais cega olhares pequenos, incapazes de enxergar.
Você pode não estar aqui para nos ouvir agora, mas que seu espírito saiba que vai deixar saudade. Só não vai deixar vazio: seu brilho foi intenso e esse será seu legado.
Seremos sempre gratos pelo tempo que dedicou a esses terrenos pequenos.
Para os que ficam e que têm dúvidas: saibam que "o mesmo Deus que dá o livre arbítrio é capaz de imensurável misericórdia". Creiam que por causa disso, nosso amigo agora está em paz.
Para Ricardo Alexandre Santos
no seu sétimo dia desde a partida.
Thais Simone.
27 de abril de 2016
Mudando a cara...
Poesia está vindo.
Está se transformando.
E se modificando.
Logo a apresentação da palavra vai se alterar um pouco aqui e acolá.
Poesia é assim: caminha muito para conseguir ficar.
Está se transformando.
E se modificando.
Logo a apresentação da palavra vai se alterar um pouco aqui e acolá.
Poesia é assim: caminha muito para conseguir ficar.
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